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HOME-OFFICE É UMA FURADA!

 

Eu simplesmente desisti. Após mais de 8 anos trabalhando majoritariamente em casa, eu vi que isso estava me fazendo mal. A mistura de vida profissional e pessoal estava me prejudicando, eu nunca estava 100% na atividade que estava fazendo.

Decidi trabalhar em casa, principalmente, para acompanhar o crescimento dos meus filhos de perto. O João Pedro nasceu em fevereiro de 2018 e desde aquela época eu já tinha que fazer algumas pausas no trabalho para trocar fraldas e cuidar de necessidades urgentes da família.

Quando a Laura nasceu, em julho de 2020, o desafio dobrou e o home-office se tornou mais desafiador ainda. Era um grande privilégio estar por perto vendo meus filhos se desenvolverem, mas eu percebia que meu rendimento no trabalho estava caindo. Me concentrar era cada vez mais difícil e cheguei à conclusão que era melhor ter um escritório fora, para trabalhar junto à minha equipe.

Em 2022 isso foi plenamente realizado, pois passei o ano todo trabalhando com a minha equipe presencialmente em um escritório fora de casa e isso me ajudou muito a calibrar a chave entre: horário de trabalho X horário de família.

As pesquisas em produtividade falam sobre isso dizendo que há 2 modelos de encarar o trabalho:

1-Integração: A vida de trabalho e pessoal são muito misturadas e não há uma linha clara que as separe.
2-Segmentação: Há uma nítida distinção entre o que é horário de trabalho e o que é horário para a família.

Na “Integração”, se diz que há maior engajamento no trabalho, mas há um grave efeito colateral: interferência na vida familiar e deterioração da saúde mental. Isso piorou com a tecnologia, pois o trabalho nos persegue em qualquer lugar e nunca temos momentos para desengajar, o que é fundamental para se manter um trabalho de alta performance.

E foi exatamente o que aconteceu comigo. Em 2023, voltei a trabalhar em casa por fatores pessoais. Minha saúde mental se deteriorou gravemente, meu sono ficou cada vez pior e me vi obrigado a procurar acompanhamento psiquiátrico e psicológico. Melhorei um pouco, mas vi que precisava tomar mais decisões.

Depois de me deparar com as pesquisa científicas sobre esse tema, optei novamente por retornar a “Segmentação”. Há 2 semanas aluguei uma sala comercial para trabalhar fora de casa. Quando estou lá, nem levo meu celular pessoal. Tento estar 100% focado no trabalho, no máximo da intensidade. E quando volto para casa também quero estar completamente presente para a minha esposa e filhos (antigamente, eu via meus filhos implorando a minha atenção e eu estava no celular conversando com clientes).

O título desse artigo é apenas uma provocação para refletirmos sobre o tema. É claro que trabalhar em casa tem diversas vantagens e eu desfrutei disso, mas precisamos analisar o impacto disso na saúde mental. O meu caso é particular, pois optei morar em uma cidade pequena, onde a vida é mais calma (vou para meu escritório de bicicleta e levo apenas 10 minutos).

O que você acha?